A Natureza e a Estrutura das Teorias Científicas

Texto de discussão

MOULINES, Carlos Ulises. “The nature and structure of scientific theories”. Metatheoria v. 1, n. 1, pp. 15–29, 2010.

Para a apresentação de hoje, serão discutidas as quatro primeiras seções (pp. 16–22), nas quais Moulines apresenta a discussão a respeito das meta-teorias, os problemas da determinação do significado de conceitos científicos e da construção de teorias, e, por fim, o papel da construção de modelos como uma ponte entre a teoria e a experiência.

Considerações históricas a respeito da metateoria estruturalista

Primeira obra marcante da metateoria estruturalista foi por Sneed (1971): A Estrutura Lógica da Física Matemática. Sneed, que foi aluno de Suppes, aproveita e desenvolve o ferramental modelista deste.

Stegmüller, que foi aluno de Carnap, publica, em 1973, The Structure and Dynamics of Theories, como parte de sua obra maior que já vinha desde os anos 1960. Neste livro, o autor não só traz maior popularidade para as ideias estruturalistas como também introduz uma ponte entre elas e a obra de Thomas Kuhn, abrindo uma linha que se mostraria bem frutífera no futuro.

O capítulo V do volume 2 do livro de Stegmüller, A Filosofia Contemporânea, foi por muito tempo a única exposição da metateoria estruturalista em língua portuguesa. Agora há uma tradução nova da Editora Forense.

Além destes dois, Balzer e Moulines completam o núcleo de autores centrais da metateoria estruturalista, que definiriam ao longo dos anos 1970 o programa de pesquisa. Nesta época, também estabeleceu-se a tradição de realizar exercícios de aplicação a teorias de crescente complexidade; nos anos 1980 a 2000, múltiplas teorias científicas foram reconstruídas.

Quando Moulines começou a transitar entre Alemanha, Espanha e México, o corpo de adeptos da metateoria começou a se expandir geograficamente para além do núcleo na Universidade de Munique. Há uma participação substancial de pesquisadores da América Latina e de pesquisadoras.

É possível distinguir algumas fases na história da metateoria estruturalista. Já em 1978–1979 se pode identificar uma nova fase na metateoria, com a centralidade na noção de rede teórica. No final dos anos 1980, pode-se dizer que inicia uma terceira fase desta vertente, marcada por uma nova ênfase nas relações horizontais entre redes teóricas.

Em meados dos anos 1970, tanto Kuhn quanto Feyerabend engajaram a primeira geração da metateoria estruturalista. Kuhn pareceu mais receptivo ao programa estruturalista e às leituras que os autores fizeram de sua obra, enquanto o artigo de Feyerabend surge com tom mais crítico. Em resposta, Stegmüller (1979): The Structuralist View of Theories.

A segunda fase da metateoria estruturalista é marcada pela noção de rede teórica, que seria uma entidade grosso modo do tamanho de um paradigma kuhniano ou uma tradição de pesquisa laudaniana. A evolução diacrônica das teorias já não é mais pensada em termos de transformações de um mesmo elemento, mas sim de mudanças nessa rede. No início dos anos 1980, C. Ulises Moulines publica seu livro Exploraciones metecientíficas, coletânea de ensaios que já reflete a descentralização geográfica da corrente, bem como a maturação da noção de rede teórica. Ao mesmo tempo que se publica muito em alemão e inglês, começa a surgir muita produção originária em língua espanhola.

Outro filósofo estabelecido (como Stegmüller já era ao abraçar a metateoria), Jesús Mosterín, tomou contato com a metateoria estruturalista nos anos 1980 e tornou-se um de seus grandes pesquisadores e difusores em língua espanhola.

Visão estruturalista busca uma convergência entre a análise formal, sistemática do conhecimento enfatizada pela visão standard e a análise diacrônica das teorias científicas, que foi priorizada pela tradição pós-viradas.

Formulação clássica da terceira fase do enfoque estruturalista: Balzer, Moulines, Sneed (1987). An architectonic for science. É a referência canônica para a reconstrução formal.

Texto

Duas perguntas que guiarão a discussão:

  1. O que é uma teoria científica?
  2. Como uma teoria se relaciona com sua base experiencial?

Teoria científica como entidade privilegiada, ainda que em meio a muitas outras presentes na atividade científica.

TO-DO: ler LORENZANO, Pablo. “La concepción estructuralista en el contexto de la filosofía de la ciencia del siglo XX”. In: DÍEZ, José A. & LORENZANO, Pablo (eds). Desarrollos actuales de la metateoría estructuralista: problemas y discusiones, pp. 13-78. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2002.

TO-DO: resumo próprio do texto.

De onde os termos primitivos recebem seu significado? Por algum tempo, predominou a visão de que eles receberiam seu significado por definições operacionais, noção que Carnap buscou significar depois. Hempel (1950), Quine (1951) se afastam dessa noção e defendem visões de um holismo de significado.

Dificuldade: como delimitar os clusters conceituais?

Researcher, Law and Artificial Intelligence

Currently researching the regulation of artificial intelligence at the European University Institute.